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Perro Loco em fatos
Um retrospecto dos anos que passaram, as conquistas obtidas e os territórios demarcados pelo festival
Por Paula Falcão e Péricles Carvalho
O Perro Loco nasceu da inquietação de alguns alunos da Universidade Federal de Goiás (UFG), que inicialmente desejavam realizar uma mostra competitiva de curtas-metragens goianos. Mas a ideia que nasceu pequena nos corredores da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia (FACOMB), foi tomando uma dimensão cada vez maior.
Quando se pensou em um projeto de extensão e cultura que pudesse promover discussões acerca da América Latina a partir da produção cinematográfica universitária, o Perro Loco estava estabelecido enquanto Festival. A primeira edição aconteceu dos dias 19 a 23 de setembro de 2007 no campus II da UFG.
O primeiro Festival
No primeiro ano, 170 filmes foram inscritos. Destes, cerca de 140 produções eram brasileiras. A comissão organizadora escolheu “Identidade” como o tema central do Festival, abordando a diversidade latino-americana através de atividades culturais, mini-cursos e oficinas, oferecidos gratuitamente à comunidade universitária e à população em geral.
Já no primeiro Perro Loco ficaram claras as estratégias de organização do coletivo de trabalho. Pautado sempre pela horizontalidade, desde o início, cada universitário da equipe organizadora é livre para opinar e debater a respeito da construção do evento. Todas as decisões são tomadas democraticamente. Outra característica do Perro Loco é a divisão do trabalho em comissões.
A expansão do projeto
Em 2008, o Festival recebeu filmes de sete países latino-americanos, incluindo o Brasil. O Perro 2 teve produções da Bolívia, Peru, Argentina, Cuba, Uruguai, Costa Rica, além de filmes enviados por universitários de 11 estados brasileiros.
“Fronteiras” foi a temática escolhida na segunda edição, e mais uma vez fomentou o debate a respeito da América Latina a partir das lentes do cinema. No primeiro dia, foi exibido o filme “A rocha que voa” de Eryc Rocha, sobre o exílio de Glauber Rocha em Cuba. Nesta mesma edição, Andrea Tonacci esteve no Festival para debater seu filme “Serras da desordem”.
A mostra competitiva da segunda edição do Perro Loco exibiu 61 filmes, totalizando mais de 11 horas de projeção. Além das mostras no Campus II da UFG, o Perro exibiu no cinema Lumière do centro de Goiânia, filmes da mostra paralela, atingindo simultaneamente ao Festival outra região da cidade.
Última edição realizada
Em sua terceira edição (2009), o Perro Loco se propôs a discutir o tema “Alegorias”. Após debater a respeito da integração e das fronteiras existentes na América Latina, o Festival se voltou para a estética cinematográfica. Foram inscritos 214 filmes universitários na Mostra Competitiva do festival provenientes de nove países da América Latina.
A curadoria do Perro, formada exclusivamente por estudantes selecionou 41 curtas para a competição: 13 documentários, sete animações e 21 ficções. Foram 31 filmes brasileiros, seis argentinos, dois filmes do Chile, uma produção uruguaia e uma boliviana. Cuba, Costa Rica, Equador e Venezuela, que não tiveram obras selecionadas, completam a lista de países participantes.
O Perro 3 recebeu figuras relevantes na história do cinema brasileiro, com ênfase no chamado Cinema Novo. A atriz e diretora Helena Ignez, os diretores Eliseu Visconti, Paulo Sacramento e o editor da Escuela Internacional de Cine y TV, localizada em San Antonio de los Baños – Cuba (EICTV), Guigo Pádua, foram alguns nomes que participaram de debates, mostras e oficinas do festival.

